Dos convívios na Mata à vida associativa

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15 de Junho de 2013

Em 2002, a Junta convida a AMITEI a encabeçar
um projeto de construção de um lar,
centro de dia e apoio domiciliário. A obra
emblemática esteve parada, derrapou e só
abriu portas dez anos depois.

Durante anos, a Mata dos Marrazes juntava a população em pequenos (grandes) convívios. Foi com o objetivo de retomar esses encontros, ali, que em outubro de 1979,um grupo de cidadãos da freguesia deitou mãos à obra. Recuperou o antigo parque de merendas e a casa do guarda-florestal, onde viria a ser a primeira sede da AMITEI.“Era um movimento sem organização estatutária, mas o crescimento e a organização de atividades levaram à criação dos estatutos e à eleição dos órgãos sociais”, recorda Fernando Vendeirinho. Depois começaram os festivais de folclore, bailes populares, comemorações do Dia Mundial da Criança, torneios de voleibol e de futsal. Em 1985, acontece um virar de página, com a alteração dos estatutos para uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS),o que permitia estabelecer acordos de cooperação coma segurança social e abrir um centro de tempos livres, atividade que envolveu muitas crianças da freguesia e criou postos de trabalho. “As condições financeiras e as instalações que possuíamos não nos permitiam fazer muito mais. Até que surge o convite para a construção do lar”, explica. Em 2002, a Junta de Freguesia de Marrazes, na altura liderada por António Ferrinho, convida a AMITEI a encabeçar um projeto de construção de um lar, centro de dia e apoio domiciliário e arranca uma obra emblemática, mas também polémica. Entre avanços e recuos, a obra esteve parada, viu o projeto alterado e ficou concluída dez anos depois da primeira pedra. O projeto inicial serviria para colmatar uma das necessidades sociais da freguesia: o apoio à terceira idade. Comparticipada pelo programa PARES em 60%,cabendo 10% à Câmara de Leiria e os restantes 30% à Junta de Freguesia, os atrasos e alterações do projeto, levaram a junta a ter que suportar perto de 70% do custo total. Na sua força máxima, a AMITEI calcula auferir 1,015milhões de euros em receita, anualmente, resultantes das mensalidades dos utentes e das comparticipações da Segurança Social, e ter despesa na ordem dos 900 mil euros anuais. Para Sofia Carreira, ex-presidente de Junta de Marrazes que acompanhou o arranque da obra, “em génese, o projeto tinha tudo para cumprir esse objetivo, colmatar uma necessidade existente na freguesia, mas está desvirtuado do projeto inicial”. “A AMITEI seria sempre um parceiro da Junta de Freguesia, no seu projeto social, e isso não se verifica neste momento”, lamenta, admitindo que a resposta à terceira idade pode não ficar satisfeita.